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Brasil, 03 de Setembro de 2010.
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Auta de Souza
Nasceu em Macaíba, em 12 de setembro de 1876. Poetisa, sua maior obra pode ser considerada o livro "HORTO". Ela foi uma das vozes mais sensíveis da poesia feminina no Brasil.

Clara Camarão
Índia e heroína potiguar, acompanhou o marido, Antônio Felipe Camarão, o índio Poti, nas lutas pela expulsão dos holandeses de Pernambuco.

Juvenal Lamartine
Filho de tradicional família seridoense, nasceu em Serra Negra do Norte no ano de 1874. Juvenal Lamartine foi juiz de direito em Acari até ingressar na vida pública. Foi deputado federal, vice-governador, senador da República e governador do Rio Grande do Norte, de 1928 a 1930.

Café Filho

Nasceu em Natal, em fevereiro de 1899. A origem do nome "Café" vem do seu avô Lourenço Fernandes Campos Júnior. Por ter sido um grande plantador de café no município de Macaíba, o seu avô trocou sobrenome Júnior pelo Café.
Foi eleito deputado federal constituinte em 1934. Com o golpe militar, refugiou-se na Argentina, onde ficou até 1938. Em 1950, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados e à vice-Presidência (realizada em separado da eleição para Presidente). Venceu as duas e fez opção pelo cargo de vice-presidente. Com o suicídio de Getúlio Vargas, assumiu a Presidência da República na manhã do dia 24 de agosto de 1954 e governou até o dia 9 de novembro de 1955, quando licenciou-se para tratamento de saúde, mas também por causa do golpe militar chefiado por seu ministro da Guerra, o famoso general Lott.

Luís da Câmara Cascudo

A cidade de Natal tem orgulho de ser o berço do nascimento do maior escritor norte-riograndense e, na opinião dos seus contemporâneos e companheiros de estudos folclóricos, o maior folclorista brasileiro, Luís da Câmara Cascudo. Cascudo nasceu a 30 de dezembro de 1898, em Natal, na Rua Senador Bonifácio, antiga Rua das Virgens, bairro da Ribeira. Desde criança, foi um predestinado. Menino de berço, foi embalado ao colo pela poetisa Auta de Souza. Adolescente, Cascudo fundou o “Principado do Tirol”, na Vila Amélia, mansão que seu pai comprara na Rua Jundaí e que compreendia um quarteirão inteiro. Se alguém imaginar, pela idade do fundador, que esse era um reino de frivolidades, está completamente enganado. Não obstante sua condição de rapaz rico, filho de um dos homens mais importantes de Natal, o coronel Cascudo, o futuro folclorista convidou para integrar a nobreza de seu Principado os nomes mais conhecidos das letras e das artes natalenses, sem cuidar de sua condição social.

Em 1920, Cascudo viajou à Bahia para cursar Medicina. Após quatro anos de estudo, regressou a Natal sem concluir seu curso, porque seu pai atravessava graves dificuldades financeiras e o filho não poderia estabelecer-se em sua terra com um Laboratório de Análises Clinicas, como idealizara. Resolve, então, estudar Direito no Recife, e em 1928 conclui o curso, recebendo o diploma de bacharel.

Por essa época, Cascudo era professor concursado de História do Colégio Estadual Atheneu Norte-riograndense e autor de vários livros de História e crítica literária.

Em 1928, ele consegue trazer a Natal o escritor paulista Mário de Andrade, papa do Modernismo Brasileiro que, depois de visitar e estudar a região amazônica, numa viagem de 1927, desejava agora conhecer e estudar o Nordeste brasileiro, realizando pesquisas na área da cultura popular.

Mário, convidado por Cascudo, hospedou-se na Vila Amélia, a mesma onde existiu o “Principado do Tirol”, e ali permaneceu durante um mês e meio, pesquisando e documentando o folclore nordestino.

Cascudo iniciou sua vida intelectual escrevendo nos jornais de Natal e, particularmente, em “A Imprensa”, órgão que seu pai fundara, para atender a dois objetivos: cuidar da política, uma das paixões do velho, e publicar os trabalhos literários de Cascudo e de seus amigos. Escrevendo em jornais e publicando livros, o futuro folclorista nunca se descuidou das pesquisas, no campo da cultura popular. Caso flagrante é o de Fabião das Queimadas, que ele hospedou na Vila Amélia. Fabião era um poeta analfabeto, negro, tocador de rabeca, filho de escravos, ele próprio escravo. Hospedando-o em sua casa, além de levá-lo a cantar para as mais aristocráticas famílias da capital e ate para o governador, Cascudo aproveitou para documentar os romances das vaquejadas, que hoje são famosos. Não obstante de seu interesse de pesquisar e documentar as mais autênticas expressões de nosso folclore, somente a partir de 1939, aos 41 anos de idade, instigado por Mário de Andrade, numa famosa carta de 1937, Cascudo iniciaria a construção de sua bibliografia de folclore, com publicação do livro Vaqueiros e cantadores, ainda hoje um dos clássicos da literatura do gênero. Depois disto, seria o dilúvio, uma inundação de livros, os mais importantes no reino do folclore e da etnografia: Dicionário do folclore brasileiro, Antologia do folclore brasileiro, Literatura oral, Cinco livros do povo, Jangada, Jangadeiros, Rede de dormir, História da alimentação do Brasil, Civilização e cultura, toda uma biblioteca, do mais nobre trabalho intelectual.

Não é apenas a vastidão dessa bibliografia que impressiona em Câmara Cascudo. Tanto quanto isto, o que impressiona igualmente em Cascudo é a construção desse monumento bibliográfico, numa província pobre como o Rio Grande do Norte, enfrentando a indiferença geral e, muitas vezes, a má vontade dos colegas de magistério, como aquele professor do Atheneu que foi denunciá-lo ao governador do Estado, por estar mandando os estudantes pesquisarem o bumba-meu-boi, burrinha-do-padre e lobisomem. Isto foi em 1930. Setenta anos depois, Cascudo é um nome internacional. Quem seria o humilde professor denunciante? Mas do que tudo, porém admirável, era o amor que esse homem dedicava a sua terra, o que lhe valeu de Afrânio Peixoto o apelido de “provinciano incurável”, que o acompanhou pela vida afora. Amor que o fazia esquecer a indiferença e má-vontade dos seus conterrâneos; que o fazia agradecer honrosos convites que o colocaria no centro do poder e do saber. Pelo grande homem que foi e pelo amor que dedicou à terra do seu nascimento, Cascudo recebeu durante o ano de 1998, por ocasião do centenário do seu nascimento, as maiores homenagens que já recebeu um filho do Rio Grande do Norte.

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